Quilombolas de todo o Brasil discutem pauta para a III Conapir

Durante o evento foi lançado o Guia de Políticas Públicas para as Comunidades Quilombolas, disponível para download na página da SEPPIR, no link: www.seppir.gov.br/arquivos-pdf/guia-pbq


Cerca de 150 representantes de comunidades quilombolas de 24 estados brasileiros passaram a quinta-feira, 25, reunidos em torno das discussões sobre os eixos norteadores da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III Conapir), que acontece entre os dias 5 e 7 de novembro, em Brasília.

Eles participaram da Plenária Nacional das Comunidades Quilombolas, coordenada pela Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais (Secomt), da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e preparada pela Comissão Organizadora Nacional da III CONAPIR. O evento foi realizado entre os dias 24 e 25, no Hotel Nobile Lake Side, em Brasília.

Durante o evento foi lançado o Guia para Políticas Públicas para Comunidades Quilombolas. A publicação traz informações sobre o Programa Brasil Quilombola, sobre programas e ações integradas direcionadas ao segmento, além de um breve histórico dessas comunidades no Brasil.

Para Arilson Ventura, responsável pela Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas (Conaq) e representante da instituição no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), a expectativa é de que plenárias que tratem sobre a questão dos quilombolas continuem ocorrendo, não apenas ligada à Conapir, mas a todas as outras. “Esperamos que elas se revertam de forma positiva em políticas públicas para nossa gente”, disse.

Ele representa o quilombo Monte Alegre, localizado no município de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, e diz que apesar de problemas em infraestrutura, equipamentos de lazer, saúde, educação e o entrave da regularização fundiária, a comunidade vem desenvolvendo um trabalho promissor voltado ao turismo étnico, cultural e ambiental.

Na culinária, o destaque na sua comunidade é para o angu de banana verde com peixe seco, que atrai admiradores de todo o estado. Outra fonte de renda da população é a produção de hortaliças e massas como biscoitos, pães e bolos, que são comercializados em programas do Governo Federal e em feiras locais, “gerando sustentabilidade, aumento da renda e ajudando a fixar os jovens em seus lugares de origem”, afirmou.

Êxito nas políticas públicas – Já Agmar Pereira Lima, da comunidade de Palmeirinhas, e vereador no município de Pedras de Maria da Cruz, em Minas Gerais, diz que lá a vida está boa e várias políticas públicas estão sendo implementadas com êxito. “As primeiras nove unidades do programa Minha Casa, Minha Vida Rural estão sendo entregues”, exemplifica.

Ele enxerga na realização da Plenária um caminho correto que está sendo seguido rumo à implementação de políticas públicas. No entanto, sente falta de resultados efetivos. “Já estamos na terceira edição da Conferência e algumas demandas das duas anteriores se repetem. Precisamos ter nossas propostas respeitadas”, diz.

Ele tem como principal reivindicação a necessidade de um levantamento epidemiológico nas comunidades quilombolas, para que o Governo Federal saiba agir face às especificidades da saúde desse segmento da população.

Manoel Edeltrudes Moreira, da comunidade Kalunga, de Goiás, vice-prefeito da cidade de Monte Alegre, diz que os Kalunga, cerca de 6 mil pessoas, estão distribuídos também em Cavalcanti e Terezinas. O quilombola afirma que a titulação de terras é o principal problema enfrentado na região. “Não temos problemas com os fazendeiros, mas o governo precisa ter recursos para resolver a questão”, diz.

Sobre a Plenária, Manoel diz que é um espaço para que lideranças de todo o Brasil tenham direito de falar para o Governo Federal, para que o mesmo conheça e reconheça suas demandas.

Fonte: SEPPIR

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Dois países ocupam uma mesma e imensa porção da América do Sul. Um deles, o Brasil branco, é mais escolarizado, sofre menos com o desemprego, e sua população tem renda. O outro é o Brasil negro, em que apenas 4% dos habitantes concluíram o ensino superior, e a pobreza extrema afeta muito mais pessoas. Apesar de essas duas nações terem, aparentemente, as mesmas condições de cuidar de suas populações, o Brasil negro ainda sofre com as consequências de um fenômeno cruel que deixou essa parcela da sociedade em enorme desvantagem: a escravidão. Os quase 400 anos em que negros eram encarados como simples mercadorias, animais de trabalho sem direitos, cavaram um abismo entre os dois Brasis, que precisam agora encontrar o caminho da reconciliação para que todos, independentemente dos traços físicos ou da cor da pele, possam ser, simplesmente, brasileiros.

Não faltam dados que mostram como os afrodescendentes são colocados na rabeira do espectro social. Segundo dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), em 2003, 8,4% dos negros encontravam-se em condições de extrema pobreza, enquanto, entre os brancos, esse índice era de 3,2%. Embora mulheres e homens negros sejam 44,7% dos brasileiros, eles representam 68% dos 10% mais pobres no país. À medida que se avança em direção aos grupos mais abastados, ocorre um “branqueamento” da população, até que a presença negra seja reduzida a 13% dos 1% mais ricos.

Completo em: Correio Braziliense

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