Carta de Pesar e Solidariedade

Membros do Projeto Ijé Ófè – Raça Livre reunidos em Belém, na CNBB entre os dias 21 e 23 de agosto.
Vem manifestar pesar e solidariedade em virtude do assassinato da liderança Quilombola, Teodoro Lalor.

CARTA DE PESAR E SOLIDARIEDADE

Nós, da Coordenação Politica Pedagógica do Projeto Ijé Ófè – Raça Livre, e Jovens Lideranças Quilombolas dos estados do Amapá, Maranhão e Pará, estagiárias da UFPA do Projeto Ijé Ófè, reunidos na sede da CNBB, em Belém do Pará, no período de 21 a 23 de agosto de 2013, vimos manifestar nosso pesare nossa solidariedade em virtude do assassinato em Belém, da liderança Quilombola, Teodoro Lalor, da comunidade Gurupá, no município de Cachoeira do Arari (Marajó-PA) e membro da Coordenação Estadual das Associações de Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Pará – Malungu.

A Morte de Seu Lalor, é mais uma das tragédias anunciadas na Amazônia, em função da incompetência do Estado Brasileiro em assegurar os direitos territoriais daspopulações quilombolas e em garantir a proteção da vida de pessoas ameaçadas por suas lutas.

Seu Lalor é reconhecido por nós, por sua luta pela garantia dos direitos quilombolas, e principalmente por seu empenho no combate a violação de direitos sofridas pelas comunidades da Ilha do Marajó, que vivem em conflito com as fazendeiras e fazendeiros de gado e de cultivo de arroz no município.

Seu Lalor tombou nessa luta por direitos, mas sua morte não será em vão, pois em cada quilombo deste País, em cada periferia, em cada quebrada, onde houver um negro ouuma negra com seus direitos aviltados, continuaremos a luta que moveu este Marajoara que tanto fez por seus iguais.

Perdemos um companheiro, mas ganhamos um motivo a mais para lutar!

Teodoro Lalor. PRESENTE!!!

Belém, 22 de agosto de 2013

Assinam esta Nota

Fórum da Amazônia Oriental – FAOR:

ACONERUQ – MA

APA-TO -TO

CEDENPA – FAOR – PA

IMENA – AP

GRENI – CRB PA

UNIPOP -PA

Comunidade de Quilombola de Barro Vermelho – MA

Comunidade Quilombola de São José do Matapi – AP

Comunidade Quilombola de Santa Luzia – PA

Coordenadoria do Projeto de Extensão – Observatório Quilombola – UFPA/Proex

Outras Publicações

A Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, contra a
Mercantilização da Vida em Defesa dos Bens Comuns, realizada na cidade do
Rio de Janeiro durante a Conferência Mundial das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Sustentável – Rio+20, que se concretiza como um dos maiores acontecimentos mundiais no ano de 2012, tendo como foco de discussão “Meio Ambiente” e “Desenvolvimento Sustentável”, favorecendo que as rodas de diálogos buscassem levantar propostas para solução dos problemas globais.

Em demasia, a economia verde está sendo uma nova veste do capitalismo que vem retirando a visibilidade da realidade econômico-social. No entanto, nós povos que buscamos nossos direitos, reivindicando a titulação de nossos
territórios, respeito a diversidade cultural, religiosa e nossa
biodiversidade, expressamos através da CONAQ- Coordenação Nacional
Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, instituição de
representatividade política das comunidades quilombolas, que acompanha os
processos das demarcações e titulações dos territórios quilombolas, junto
aos órgãos competentes para tais fins, que hoje se estima em torno de 5 mil
comunidades quilombolas em todo território nacional, os direitos garantidos
as comunidades que estão resguardados como: educação, saúde, habitação e soberania alimentar, e que estão sendo aviltados pela burocracia do Estado.

Em tempo presente, a situação mais emblemática que exemplifica bem a
situação de todos os quilombolas é o caso de Quilombo Rio dos Macacos (BA), que vêem sendo denunciando em todos os espaços e meios de comunicação, como forma de mostrar as atrocidades cometidas pela Marinha do Brasil, que vergonhosamente vem ferindo os direitos dos povos daquela comunidade.

Situação eminente é também o caso do Quilombo da Ilha da Marambaia (RJ), onde a implantação do Centro de Adestramento Militar da Marinha do Brasil vem retirando a dignidade dos moradores daquele local e de Alcântara (MA), atingido pela implantação da Base de Lançamento Espacial. Documentos comprobatórios foram entregues aos diversos organismos do governo, e os quilombos supramencionados ainda perecem pelo descaso dos órgãos que acompanham.

As diversas discussões que aconteceram na Cúpula dos Povos muito se falou
sobre a “sustentabilidade”, mas afirmamos que não existe sustentabilidade
sem territoriedade, existe sustentabilidade de fato onde estão habitados os
povos e comunidades tradicionais que detém o conhecimento, preservando seus territórios que são passados de geração à geração.

Os direitos quilombolas estão hoje resguardados pelos artigos 68, 215 e 216
da Constituição Federal / 88, pela convenção 169 da Organização
Internacional do Trabalho e pelo decreto presidencial 4887/2003, estando
esse último em eminente perigo pela ação de forças políticas de direita que
vislumbram a queda do decreto através da ADI 3239, que se encontra em
julgamento no Supremo Tribunal Federal e sua eventual aprovação
inviabilizará todos os processos de titulação dos territórios quilombolas.

A PEC 215 é um retrocesso para todos os avanços que os povos indígenas e
quilombolas vêm conseguindo com muita luta no campo dos direitos
ambientais, culturais, políticos, econômicos e sociais.

A Cúpula dos Povos, espaço critico e de trocas de experiências culturais de
movimentos do mundo inteiro, os diversos grupos estão dispostos a mostrar
de variadas formas para a RIO+20, que são capazes de apresentar ao mundo renovados conceitos a partir de visões éticas e agroecológicas, pautadas pelos valores da coletividade e solidariedade.

Rio de Janeiro, 22 de Junho de 2012.

A operação é parte do Programa Nacional de Habitação Rural, que visa atender trabalhadores residentes na zona rural, com renda familiar anual de até R$ 15 mil

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Histórias reais reproduzidas em primeira pessoa. Organizado por Jurema Werneck, Nilza Iraci e Simone Cruz. A obra traz o relato de 20 mulheres negras de nove estados brasileiros. As narrativas são de mulheres negras quilombolas, nordestinas, sulistas, entre outras, urbanas ou não. O resultado é um livro emocionante, repleto de histórias de lutas temperadas com energia, garra, amor, sabedoria e afeto.

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Telefone: +55 91 3224-3280    |    e-mail: cedenpa@cedenpa.org.br